10 de abril de 2026
No Dia do Peixe-Boi, projeto de conservação ganhará reforço logístico em Santarém

No marco do Dia de Preservação do Peixe-Boi da Amazônia, instituído pela Lei Estadual nº 10.322/2024, o esforço para proteger o mamífero aquático mais ameaçado da bacia amazônica ganhou um novo capítulo em Santarém, oeste paraense. Em cerimônia no Zoológico do Centro Universitário da Amazônia (ZooUNAMA), foi oficializada a entrega de um veículo 4x4 e anunciado um aporte financeiro de R$ 352.500,00 por parte da mineradora Alcoa. O recurso será destinado à construção de uma nova base flutuante na Comunidade Igarapé do Costa, ampliando a infraestrutura de reabilitação e soltura da espécie, que agora é patrimônio do Estado.
O evento também marcou a inauguração do Memorial Peixe-Boi da Amazônia. O espaço físico contará com uma linha do tempo detalhada que narra a trajetória do projeto iniciado em 2008. Além de servir como fonte de informação técnica, o memorial funcionará como um ponto de conscientização para visitantes e acadêmicos, destacando os mais de 150 animais que já passaram pelo processo de resgate e cuidado na instituição.
Investimento em tecnologia e campo
O investimento estratégico será dividido em duas frentes fundamentais. A primeira é a entrega imediata de uma caminhonete 4x4, que garantirá agilidade nas operações de resgate de filhotes órfãos, vítimas frequentes da caça ilegal de fêmeas lactantes ou de colisões com embarcações. A segunda frente é o anúncio do aporte para a construção de uma base flutuante moderna no Igarapé do Costa. A nova estrutura contará com tanques de reabilitação aquática aprimorados, permitindo que o ciclo de aclimatação dos animais ocorra em condições ainda mais próximas ao ambiente natural antes da soltura definitiva.
“Este anúncio será um divisor de águas na nossa trajetória. Mais de uma centena de animais já passaram pelos nossos cuidados e essa cooperação formará uma força-tarefa essencial para proteger uma espécie que é o ‘jardineiro da Amazônia’”, destaca o biólogo Hipócrates Chalkidis, gestor do ZooUNAMA. De acordo com o especialista, o peixe-boi desempenha uma função ecológica vital, fertilizando as águas e mantendo a navegabilidade dos rios ao consumir grandes quantidades de plantas aquáticas.
Academia e Comunidade
Para o presidente do grupo Ser Educacional, mantenedora da UNAMA, Jânyo Diniz, o projeto simboliza a missão da universidade de extrapolar os muros acadêmicos. “As instituições de ensino superior precisam impactar positivamente a sociedade. O projeto não é apenas técnico; ele é humano. Muitos destes animais permanecem anos conosco em recuperação e esse sucesso só é possível pela parceria com a comunidade local, como os moradores do Igarapé do Costa, que possuem uma consciência ambiental admirável”, pontua.
A parceria com a Alcoa reforça uma trajetória de cooperação voltada à conservação da fauna amazônica. Presente em Juruti desde 2009, no oeste do Pará, a empresa mantém iniciativas de proteção da biodiversidade e cuidado com animais silvestres, como o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS). A colaboração com o ZooUNAMA amplia essa rede de cuidado e pesquisa, fortalecendo ações voltadas à preservação de espécies emblemáticas da região, como o peixe-boi-da-Amazônia. “Na Alcoa, acreditamos que mineração responsável e conservação da biodiversidade precisam caminhar juntas. Apoiar instituições que atuam na proteção da fauna amazônica é uma forma concreta de contribuir para a preservação de espécies que fazem parte da identidade da região”, afirma Reinaldo Brandão, diretor de Operações da Alcoa, em Juruti.
Legado de Proteção
Fundado em 1997, o ZooUNAMA é o único projeto de responsabilidade socioambiental no Pará gerenciado por uma instituição de ensino superior privada com foco em resgate, reabilitação e soltura. O local é hoje um dos principais polos de apoio à vida silvestre entre Belém e Manaus, servindo também como campo de pesquisa e extensão para alunos de Medicina Veterinária e Ciências Biológicas.
Com o novo status de patrimônio estadual sob a Lei 10.322/2024, o Dia do Peixe-Boi da Amazônia passa a ser uma data de prestação de contas e renovação de compromissos. O reforço logístico anunciado garante que o ciclo de conservação, que envolve desde o primeiro atendimento veterinário até o monitoramento comunitário pós-soltura, continue a avançar no oeste paraense.