29 de abril de 2021

Para promover desenvolvimento territorial, é necessário união de esforços, consideração dos saberes locais e participação de moradores das comunidades


Com contribuição do Instituto Alcoa, oficina realizada durante 11º Congresso GIFE debate contexto e oportunidades de atuação para promover o desenvolvimento territorial brasileiro. 

OFICINA GIFE 3

Um dos pilares do tripé do evento que encerrou o 11º Congresso GIFE - Fronteiras da Ação Coletiva, realizado de forma online entre 24 e 26 de março, foram as oficinas temáticas colaborativas. Na manhã do dia 26, foi a vez de debater desenvolvimento territorial, sessão que contou com a participação de Tatiana Bizzi, diretora executiva do Instituto Alcoa, e Pâmela De-Cnop, diretora da Fundação Vale. 

Pensada para debater os desafios para produzir desenvolvimento territorial no Brasil e as estratégias e modos de atuação que devem ser priorizados pela filantropia ao olhar para este fim, a oficina teve início com uma breve apresentação realizada por GIFE e Pacto - Organizações Regenerativas a partir das discussões sobre desenvolvimento territorial que permearam o trilho do Congresso desde agosto do ano passado. 

O aprofundamento das desigualdades sociais em razão da pandemia, o potencial de contribuição dos líderes locais, a diversidade dos territórios, o incentivo à construção de ecossistemas participativos com o apoio das comunidades, o fortalecimento do senso de pertencimento, a promoção de ações de longo prazo e a integração entre poder público, sociedade civil e investimento social privado foram alguns dos pontos fortes dos debates. 

A atuação do investimento social privado 

Tatiana compartilhou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Alcoa em Juruti (PA), Poços de Caldas (MG) e São Luís (MA) e como a organização se articula com as comunidades locais e o poder público para promover ações nas agendas da educação e da geração de trabalho e renda, incentivando o desenvolvimento territorial das comunidades onde a Alcoa está presente. 

Segundo a diretora, muitos dos pontos debatidos durante o Congresso GIFE desempenham papel fundamental na atuação do IA, a exemplo do trabalho em rede com atores locais, do fortalecimento de políticas públicas, da valorização dos saberes comunitários e da visão integrada acerca do desenvolvimento dos territórios a partir de projetos de longa duração. 

Além disso, a diretora refletiu sobre como o Instituto Alcoa tem reforçado seu posicionamento em frentes como a promoção da escuta ativa dos territórios com o objetivo de aprimorar sua atuação e de integrá-la a agenda estratégicas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

“Em cada localidade, nós contamos com um conselho consultivo de relações comunitárias, que nos apoiam na mobilização e engajamento das comunidades nos temas estratégicos de atuação do IA. Trata-se de um espaço diverso de troca muito importante para nossa atuação. A pandemia nos mostrou que, apesar de termos áreas de atuação bem definidas, é muito importante estarmos abertos ao que o território precisa. Por isso, em 2020 criamos um foco para apoio em tempo de pandemia dentro do nosso edital de apoio a projetos locais”, explicou. 

Para Pâmela, da Fundação Vale, o fato de o poder público ser responsável pela gestão territorial não isenta da responsabilidade as organizações da sociedade civil, institutos, fundações e empresas. A diretora lembrou que, em muitos casos, os desafios são grandes demais para serem resolvidos por um ator individualmente, o que demanda parcerias, sendo essa a única forma de promover a sustentabilidade das ações que endereçam o desenvolvimento territorial. 

Assim como Tatiana, a diretora da Fundação Vale reforçou a centralidade das comunidades no processo de promoção do desenvolvimento sustentável. “Os territórios estão em constante transformação. Para fazermos parte dessa mudança, precisamos promover uma escuta ativa, dialogar e nos enxergar como parte disso.”

Nesse sentido, a pandemia de Covid-19 adicionou mais uma camada de transformação. “Um grande aprendizado para nós foi o equilíbrio, ou seja, saber que o desenvolvimento territorial requer comprometimento e engajamento, mas que precisamos balancear isso com as urgências que aparecem pelo caminho. É um meio termo entre atender às emergências sem perder de vista as ações de longo prazo”, pontuou. 

Plenária de experiências  

As exposições iniciais foram seguidas por uma atividade em grupos. Os participantes da oficina foram divididos em salas paralelas para que, juntos, pudessem discutir os focos prioritários para atuação do investimento social privado e da filantropia na temática do desenvolvimento territorial nos próximos dois anos. 

Confira a seguir alguns dos principais pontos apresentados pelos grupos: 

Ter em mente e considerar que: 

  • dentro de uma mesma comunidade existem grupos com interesses diversos e é importante reconhecer as especificidades e ativos de cada território;
  • a organização (seja instituto, fundação ou empresa) é apenas mais um ator no local, não é o único nem o principal ator;
  • a organização não vai substituir a força do poder local ou do poder público;
  • a pandemia reforçou a importância e o potencial da tecnologia como ferramenta de engajamento; 
  • os tempos, prazos e movimentos dos territórios são próprios; 
  • há uma linguagem comum entre os atores e é importante que as organizações tenham a sensibilidade de reconhecê-la; 
  • considerar ações e políticas públicas que já estão em andamento no território para evitar sobreposição de esforços; 
  • consultores técnicos e agentes externos não devem levar planos e respostas prontas aos territórios; 
  • a potência de inovação está nos próprios territórios, uma vez que eles estão sempre em transformação. 

 

Incentivar/buscar/promover: 

  • escuta ativa e constante; 
  • desenvolvimento de jovens líderes locais; 
  • entender expectativas sobre o que as pessoas esperam e buscam; 
  • desenvolvimento de novos modelos de governança;
  • mobilização de recursos privados e públicos voltados ao desenvolvimento territorial; 
  • aprofundamento de iniciativas que já existem em vez de criar novas; 
  • criação de iniciativas que, com um fomento inicial, alcançarão a sustentabilidade, isso é, vão ‘parar em pé’, proporcionando um crescimento real à comunidade; 
  • mudança de mentalidade acerca da expressão 'comunidades do entorno’, como se as empresas fossem o centro, enquanto são ‘as comunidades onde as empresas estão inseridas’.

Desafios e complexidades: 

  • em muitos casos, as organizações atuam para que os moradores continuem no local, mas muitos têm o desejo de sair da comunidade; 
  • avaliação de impacto das ações é de longo prazo; 
  • para organizações que trabalham com educação: a pandemia vai impactar na evasão escolar; 
  • emergências vão acontecer e a organização precisará lidar com isso; 
  • organizações precisam compreender e estar abertas a mudanças com certo grau de flexibilidade em suas propostas, ações e calendários; 
  • aprender com os erros; 
  • definir prioridades, sobretudo em contextos como o da pandemia; 
  • promover ajustes rápidos e eficientes de acordo com a conjuntura; 
  • importância de as próprias organizações se apropriarem e utilizarem as informações que produzem; 
  • reconhecer que a organização não é detentora das soluções e dos saberes.