30 de novembro de 2020

Ecoa Formação promove ciclo de debates com especialistas em Educação sobre os desafios em médio e longo prazo pós-pandemia


Foto Fomação Ecoa Fernando Abrucio

A iniciativa é composta por quatro encontros online para explorar as  lições da pandemia para a educação e como enfrentar os desafios do presente e transformar o futuro educacional brasileiro. Os encontros são mediados por especialistas, em parceria com o Cenpec, e são abertos a todo o corpo técnico de educadores e gestores de Juruti (PA), Poços de Caldas (MG) e São Luís (MA).  

No dia 13, a primeira edição contou com a participação de Fernando Luiz Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). No dia 20, houve a presença de Ítalo Dutra, chefe de Educação do Unicef no Brasil e coordenador de diversas iniciativas de resgate escolar e enfrentamento à cultura do fracasso educacional. No dia 27, a convidada foi Cláudia Oliveira Pimenta, professora da rede estadual de São Paulo, doutora em Educação e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas em políticas educacionais e sistemas de avaliação. E, no dia 4, último encontro da série, haverá a presença de Sandra Zákia Sousa, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).  

“Elaboramos um diagnóstico que pode nos ajudar a formular a melhor proposta de formação, de acordo com as necessidades e demandas específicas de cada localidade. Contudo, com a chegada da pandemia, todo o planejamento precisou ser reformulado. Em parceria com o Cenpec chegamos a esse modelo online de orientação”, comenta Monica Espadaro, gerente de projetos do Instituto Alcoa (IA) e gestora do Programa Ecoa. 

Solange Feitoza Reis, coordenadora de projetos do Cenpec , conta que começou a parceria com o Programa em 2019, por meio da elaboração de um diagnóstico educacional nas três localidades. “O ponto-chave da consultoria nas três redes foi a questão das desigualdades educacionais em três dimensões: a exclusão escolar, ou seja, quem deveria estar no sistema de ensino e não está; a exclusão por dentro do sistema de ensino, via taxas de reprovação, abandono e distorção de idade e série; e a verificação da proficiência em relação ao nível socioeconômico”. E acrescenta que esse trabalho precisou ser revisto com a vinda da pandemia e entendido de forma a dialogar com a realidade do momento. 

No encontro de abertura do ciclo de debates, o convidado Fernando Luiz Abrucio contextualizou a situação do setor educacional no Brasil. 

O especialista lembra que a educação como direito fundamental de crianças e jovens se deu apenas com a promulgação da Constituição de 1988, portanto, a educação como alicerce da sociedade brasileira é recente. “Essa característica somada aos efeitos da evasão escolar pela pandemia trazem desafios imensos para todos os profissionais do setor da Educação, desde o professor em sala de aula até as secretarias municipais.”   

O professor Abrucio também aponta a necessidade de se criar novas formas de relacionamento entre famílias e escola e professores e alunos. “Tentar usar metodologias feitas fora do período da pandemia pode não ser a melhor solução. Estamos em um momento especial de acolhimento. E é necessário ter um modelo pedagógico que lide com isso. O desafio é como engajar crianças, jovens e professores na busca pelo conhecimento no mundo em pandemia.” 

Os encontros se dão com a mediação de Ocimar Alavarse, professor da faculdade de Educação da USP e consultor do programa Ecoa Formação. Também com a fala de abertura de Maria Helena, Secretária Municipal de Educação de Poços de Caldas, em Minas Gerais, Jonas Moraes, Secretário Municipal de Educação de Juruti no Pará e José Cursino Raposo Moreira, Secretário Municipal de Educação de São Luís no Maranhão.  

 

O Programa Ecoa

O Programa Ecoa é a principal iniciativa do Instituto Alcoa para o fortalecimento da Educação pública nos seus territórios de atuação. Em 2020, o programa passa por uma reestruturação e se desmembra em duas frentes de atuação: Ecoa Gestão e Ecoa Formação. 

No Ecoa Gestão, a proposta é promover apoio ao desenvolvimento técnico e estratégico das Secretarias Municipais de Educação e gestores escolares, com foco no Ensino Fundamental. Já o Ecoa Formação oferece atividades formativas para os professores, como também fomenta debates com especialistas do setor em prol de melhorias no processo de aprendizagem. 

O desenho do Ecoa Formação teve início com o diagnóstico de quatro eixos realizado pelo Cenpec: proficiência, desigualdade, distorção idade-série e reprovação. Com a análise de dados coletada, as Secretarias de Educação dos três municípios de atuação do IA são capazes de identificar as demandas locais para uma formação mais eficiente de professores e equipe técnica nos anos seguintes.