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Novembro 18, 2009

Mineração sustentável

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Veículo: Carta Capital – São Paulo
O que acontece quando uma mineradora multinacional descobre em plena Floresta Amazônica uma reserva capaz de garantir mais de seis décadas de produção localizada em unia área rodeada por 30 mil habitantes? A Alcoa quer dar a essa pergunta unia resposta diferente das vistas nas últimas décadas em empreendimentos semelhantes. Dai ter iniciado há dois anos as consultas a representantes dos moradores do município de Juriti oeste do Pará para decidir qual o melhor rumo de um empreendimento de 3,5 bilhões de reais.
“Deus não pôs a bauxita em Paris, Nova York ou São Paulo”, afirma o gerente-geral da Mina de Juriti Tiniti Matsumoto Júnior. A última grande reserva do minério matéria-prima do alumínio foi descoberta na década de 1960 pela Alcoa em território brasileiro no município mineiro de Poços de Caldas. Além da distância e da falta de estrutura, a bauxita de Juriti ainda apresentava o problema de estar enterrada a 12 metros da superfície do solo recoberto pela mata fechada.
“Decidimos então mostrar ao mundo, que está com os olhos voltados para a região amazônica, como é possível realizar mineração em áreas protegidas.” Com essa promessa surgiu o Projeto Juriti Sustentável, que visa amenizar os efeitos de uma obra que chegou a ampliar em quase 50% a população do município durante a fase de implantação. A extensão dos impactos sobre a natureza e os moradores da região só poderá ser avaliada ao longo dos próximos anos.
Para enfrentar o desafio sem recorrer a iniciativas paternalistas, nem assumir funções do Estado, a Alcoa buscou, além do diálogo com o município, o apoio de entidades como as ONGs Conservação Internacional, Funbio, Instituto Chico Mendes e o Museu Paraense Emílio Goeldi, entre outros. “Sabemos que uma árvore cortada pode levar de 17a 20 anos para crescer novamente. Por isso a credibilidade é um fator fundamental para conseguirmos a aprovação da á população" diz Matsumoto.
De acordo com o executivo, mais de 30 projetos foram apontados pela sociedade como prioritários para garantir que a criação de riqueza na região se reflita em melhora na qualidade de vida. A maioria das iniciativas que incluem escolas delegacias unidades de saúde e sistemas de abastecimento de água será tocada em parceria com o poder público ou entidades apoiadoras. "Trouxemos para cá um hospital com a grife do paulista Incor" ressalta.
Outras iniciativas procuravam estimular o desenvolvimento da economia local. Como as programas que garantem que os alimentos a ser consumidos na mina sejam comprados de produtores locais. Ou o apoio aos pescadores da região na comercialização da mercadoria.
Matsumoto diz que a última pesquisa encomendada pela empresa apontou 89% de aprovação da população à presença da Alcoa na região. Mas a relação nem sempre foi tranquila. Em fevereiro deste ano comunidades ribeirinhas chegaram a reunir mais de mil participantes em protestos que bloquearam estradas de acesso à mina.
“Há no município mais de 200 comunidades espalhadas, com pouca comunicação entre elas. Sabíamos que não seria fácil”, diz.

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