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Maio 11, 2009

Empresas tentam superar conflitos com obras no Pará

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Veículo: Valor Econômico -SP
Mineradoras com projetos bilionários no Pará, como a Alcoa e a Vale, passaram a investir em obras típicas de Estado, como a construção de estradas, escolas, postos policiais, rede de saneamento e até um Fórum judicial. As empresas decidiram romper com o antigo paradigma da mineração, em que ficavam enclausuradas em bairros, lucrando bilhões de dólares enquanto a população vivia num cinturão de miséria ao redor. Antes, estatais de mineração assumiam o compromisso de dar a infraestrutura das cidades. Agora, empresas privadas realizam projetos estruturantes para que as comunidades não apenas tenham acesso a condições básicas de saúde e educação, mas possam viver por conta própria sem depender das mineradoras. Em vez de cobrar do Estado a educação, a moradia e outros itens básicos escassos no Pará, como água, esgoto e energia, as empresas iniciaram projetos próprios e desenvolvem cidades inteiras. A Alcoa reconstrói a cidade de Juruti, provendo asfalto, hospitais e postos policiais. A Vale está criando centrais com escola básica, cursos profissionalizantes e rede esportiva em várias comunidades próximas a seus empreendimentos estratégicos.O governo do Pará apoia os novos projetos sociais de grandes empresas, mas exige que elas paguem compensações ambientais, além dos impostos da mineração. Essas compensações foram estipuladas em 1,57% do valor de cada empreendimento. No Pará, há investimentos de R$ 23 bilhões neste ano só na mineração.Além desse contraste entre projetos bilionários e a miséria, o Estado vive um outro, mais conhecido, na questão agrária. Enquanto grandes proprietários rurais desenvolvem projetos avançados de inseminação artificial para criação de gado para exportação, sem-terras ocupam fazendas em busca de novos assentamentos na região.O governo do Pará entrou num conflito aberto com o Grupo Santa Bárbara, que tem o banqueiro Daniel Dantas como sócio, e cujas fazendas foram invadidas há dois meses. Quer que Dantas modifique sua produção na região, abandone o gado e cultive castanhas.Vale e Alcoa também enfrentam reivindicações de movimentos locais, mas acreditam que seus projetos sociais poderão atender as queixas da população e, ao mesmo tempo, garantir eficiência na produção.

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