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Janeiro 12, 2009

Uma promessa para Juruti

Veículo: Época Negócios - SP 

Uma cidade às margens do Rio Amazona, no Pará, é o cenário do mais ambicioso projeto da Alcoa, a maior fabricante de alumínio do mundo. Ali, a empresa pretende transformar uma mina de bauxita em caso exemplar de exploração responsável. Seu desafio: Gerir o impacto do projeto na vida de milhares de moradores, para quem a Alcoa sequer deveria estar ali

Era junho de 2006 quando Henry Schacht, Judith Gueron e Kathryn Fuller, membros do conselho de administração da Alcoa - maior produtora de alumínio do mundo, com vendas de US$ 30,7 bilhões em 2007 - embarcaram em uma longa viagem. Acompanhados de 12 executivos da companhia, trocaram o conforto de Nova York pelo calor úmido do interior da Amazônia. Depois de escalas em São Paulo e Santarém, chegaram de helicóptero a Juruti, no oeste do Pará, e seguiram de barco pelo rio Amazonas até a vila de Juruti Velho, uma comunidade encravada no meio da floresta, onde boa parte da população torcia o nariz para a Alcoa. Meses antes, a companhia recebera da Secretaria de Estado de Meio Ambiente a licença para instalar na região um empreendimento avaliado em R$ 3,5 bilhões para a extração e beneficiamento de bauxita, a matéria-prima do alumínio. Os moradores de Juruti Velho protestavam contra a presença da companhia. Temiam que a chegada da multinacional ameaçasse o seu modo de vida tradicional, baseado na pesca, na caça e na coleta de castanha. 

Um galpão sem ar-condicionado e com telhado de palha, na praça principal do vilarejo, serviu de palco para as discussões entre o alto escalão da Alcoa e cerca de 30 moradores. Intérpretes contratados pela empresa traduziam em tempo real o que uns e outros falavam. Diferentemente do habitual, os executivos da empresa não comandaram a reunião - eles mais ouviam do que falavam. Os ribeirinhos, por sua vez, questionavam os danos ambientais da obra e a geração de empregos. "Aquela reunião permitiu que todos os presenciassem ao vivo e em cores as dificuldades que iríamos enfrentar", afirma Franklin Feder, presidente da Alcoa para América Latina e CEO da subsidiária brasileira. O tempo mostrou que ele estava certo. Em julho de 2008, Feder voltou a Juruti acompanhado de Alain Belda, presidente do conselho de administração, e Klaus Kleinfeld, presidente mundial da Alcoa, para entender o que mudara desde a primeira conversa com a empresa. A reunião não aconteceu. Motivo: os executivos chegaram com duas horas de atraso e, mesmo depois de se retratarem, os moradores não cederam. "Pedi desculpas publicamente três vezes. Mesmo assim, o líder da comunidade levantou e disse: 'Pessoal, está encerrada esta reunião'", diz Feder. "Nossa intenção não era, de maneira alguma, desrespeitar as pessoas que estavam lá".

A comunidade de Juruti não escolheu receber a Alcoa. Ao contrário, foi escolhida. O município de 125 anos, com 38 mil habitantes, está acomodado sobre uma jazida de 700 milhões de toneladas métricas de bauxita. A exploração dessa riqueza é critica para o futuro da companhia. A Alcoa extrai atualmente 31,5 milhões de toneladas de bauxita. A maior mina sob sua administração está na Austrália e tem um potencial de 2 bilhões de toneladas. Quando entrar em operação, no inicio desse ano, a mina de Juruti será a terceira do ranking. Fará parte de um complexo que contemplará um porto fluvial, mais de 100 quilômetros de novas rodovias e ferrovias e duas pequenas termoelétricas sob responsabilidade da Petrobras.

Este seria um projeto de engenharia complexo em qualquer lugar do mundo. Na Amazônia, uma área extremamente sensível do ponto de vista ambiental e social, ganha contornos ainda mais delicados. "A última vez que fizemos uma obra assim no Brasil foi há 40 anos, em Poços de Caldas, Minas Gerais", diz Feder. "Naquela época não se falava em sustentabilidade. Agora, a sociedade está muito mais alerta. Fazer isso hoje numa região como a Amazônia exige cuidado redobrado." Feder acredita ser possível transformar Juruti num modelo de exploração responsável. "Nossa intenção é fazer deste o projeto de mineração do século, como nunca se fez antes." 

Graças ao seu gigantesco potencial mineral e florestal, estimado em trilhões de reais, a Amazônia está cada vez mais na mira das grandes companhias como a Alcoa. Seus estoques de madeira, ativos de biodiversidade e minérios, entre outros, colocam a região no plano de diversos setores. A riqueza ambiental é uma das características marcantes da Amazônia. Outra é a pobreza. A falta de alternativa econômica faz que parte das 20 milhões de pessoas que vivem ali faça da exploração irresponsável seu meio de vida, ameaçando a manutenção da floresta. Num mundo cada vez mais a questões socioambientais, qualquer empresa interessada em explorar o potencial econômico da região precisa administrar cuidadosamente sues impactos. Essa preocupação levou 34 companhias dos setores de madeira, pecuária e soja, e institutos a assinarem, em meados de outubro, um compromisso voltado para a adoção de práticas sustentáveis na Amazônia. 

"O diálogo com as comunidades locais é o principal obstáculo das companhias que pretendem trabalhar na Amazônia", afirma Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, uma das organizações criadoras do Fórum Amazônia Sustentável, que reúne 124 organizações do setor privado e da sociedade civil. "Falta repertório às empresas para conversar com os moradores, assim como falta a eles repertório para ouvir as empresas." A experiência da Alcoa em Juruti vem sendo observada de perto por empresários e especialistas. Se der certo, poderá se tornar um modelo de relacionamento com as comunidades da região.

UMA NOVA CIDADE
Juruti é um município com carências típicas da Amazônia. Em 2000, apenas um terço do abastecimento de águia da cidade era feito por meio da rede geral e nenhum domicílio estava ligado ao sistema de esgoto ou pluvial. Os moradores vivem da agricultura de subsistência e complementam a dieta com fariam de mandioca, peixe, coleta de frutos, caça e pequenas criações de animais. Para cozinhar, as comunidades usam lenha ou carvão. Apenas 70% dos adultos têm o primeiro grau incompleto e 12,5% nunca forma à escola. Mais da metade da população vive na zona rural, onde a energia elétrica é escassa e fornecida pela prefeitura, que estabelece cotas de diesel das 6 da tarde às 10 da noite, período em que as pessoas assistem à televisão. Não há telefonia nem acesso à internet e a comunicação, assim como o transporte, é difícil. Tudo o que é usado ou consumido na região chega de balsa. A falta de infra-estrutura é generalizada. Funcionários da Alcoa e de outras empresas que chegam a Juruti instalam-se em barcos-hotéis alugados de terceiros, ancorados ao longo da margem do Rio Amazonas.

Com a vinda da Alcoa, aventureiros em busca de emprego fácil começaram a chegar, o custo de vida aumentou e cerca de 6 mil trabalhadores contratados pelas mais de 30 empreiteiras escaladas para tocar o empreendimento chegaram à cidade. Juruti inchou – e mudou de cara. Cinco anos antes do início das obras, 15 carros circulavam pelas ruas do município. Agora mais de 200 caminhonetes usadas pela Alcoa, além de caminhões, desfilam pela cidade. A empresa precisou restringir as áreas em que seus carros podem circular, para prevenir atropelamentos. É comum ver pelas ruas três ou mais pessoas sem capacete penduradas numa única motocicleta.

Para a instalação da mina, 800 hectares de mata tiveram de ser derrubados. Por causa das mudanças do ambiente natural e do aumento da população, o número de doenças infecciosas diagnosticadas em Juruti aumentou. “A busca por atendimento médico e internações subiu muito”, diz Ana Márcia Cunha, secretária municipal de Saúde.

“Noventa por cento dos que vêm trabalhar na obra não têm convênio médico e precisam usar o Sistema Único de Saúde”. Houve surtos de hepatite A e de dengue, e uma explosão de casos de doenças sexualmente transmissíveis por causa do aumento da prostituição.

“As mulheres vêm de todo lado, atraídas pelos milhares de homens que trabalham na obra”, diz o jurutiense José Maria Salgado Vieira Neto, fundador do Movimento 100% Juruti, criado para discutir as insatisfações dos moradores em relação à mina, Segundo Gilza Ribeiro, conselheira tutelar do município, muitas meninas não têm consciência de que estão se prostituindo. “Elas enxergam na relação uma oportunidade de mudar de vida”, afirma.

VISÃO DE FUTURO
As conversas com a população local sobre a instalação do projeto começaram em 2005, quando foram realizadas 70 reuniões com moradores de mais de 100 comunidades do entorno de Juruti, além de representantes da sociedade civil, da academia e do poder público. Os encontros precedem as três audiências públicas necessárias para a instalação da obra (uma em Belém, uma em Santarém e outra em Juruti), que contaram com a presença de mais de 8 mil pessoas. “Se a Alcoa não tivesse se instalado aqui, estaríamos vivendo nossa vida pacata, mas boa”, afirma Vieira Neto. “Eu, por exemplo, já não posso sentar na frente da minha casa para conversar com o vizinho no final do dia porque os carros não param de passar e levantar poeira”.

Convencer pessoas como Vieira Neto de que a presença da Alcoa é positiva para Juruti é um dos maiores desafios de Feder e sua equipe. Aos 57 anos, Feder – um americano naturalizado brasileiro que se formou em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo – vai pelo menos duas vezes por mês ao Pará conferir o andamento do projeto e conversar com moradores, Vez ou outra, sai da capital paulista às 7 da manhã num avião alugado, passa o dia na Amazônia e volta para casa na mesma noite. Por meio desse contato próximo, ele busca conquistar o que os funcionários da Alcoa se habituaram a chamar de “licença social” para operar.

Outro desafio da companhia é ajudar Juruti a planejar o próprio futuro. A mina que está sendo aberta pela Alcoa poderá ser explorada por cerca de 70 anos. Passado esse prazo, a empresa quer garantir que a cidade sobreviverá sem a sua presença. Para isso, traçou um plano de apoio de longo prazo batizado de Projeto Juruti Sustentável. A estratégia foi desenhada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGVces) e pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Contempla três principais frentes: um sistema de indicadores de sustentabilidade para a geração de conhecimento sobre a região de Juruti, um fundo financeiro, ainda em formatação, para captar recursos que serão aplicados em iniciativas indicadas pela própria comunidade e a criação de um conselho que sirva de canal de diálogo entre a sociedade civil, a empresa e o poder público.

A seleção dos indicadores está sendo feita com participação dos moderadores, Para facilitar o diálogo, o FGVces desenvolveu cartilhas com perguntas que os ajudam a apontar as principais questões e definir prioridades. Em consultas públicas e contribuições pela internet, mais de 600 pessoas opinaram sobre os indicadores. “Eles não curam a doença, mas medem a fébre”, afirma a ecóloga Cecília Ferraz, coordenadora-executiva do projeto Indicadores de Juruti. “São uma forma de monitorar o município e o entorno.”

Oficializado em agosto de 2008, o Conselho Juruti Sustentável é apontado como uma das iniciativas mais inovadoras da Alcoa para garantir a independência de Juruti. Trata-se de um espaço de diálogo e negociação formado por três representantes do poder público, três do setor privado e nove da sociedade civil. Os integrantes são divididos em grupos temáticos – segurança e meio ambiente, cultura, infraestrutura e saneamento, economia e trabalho, agropecuária, educação, saúde – que se reúnem uma vez a cada 15 dias para discutir propostas para a cidade. “Em projetos como esse sempre há diálogo entre o governo e a empresa”, afirma Maurício Macedo, gerente de sustentabilidade e assuntos institucionais da Alcoa. “Neste caso, estamos incluindo a sociedade. E para isso é necessário ouvir, absorver e apreender.”

O principal responsável pelo relacionamento com a população de Juruti no dia-a-dia é o mineiro Brício Lima, superintendente de relações comunitárias da Alcoa. Uma de suas principais atribuições é cuidar da regularização das terras nas áreas de influência da empresa. O executivo precisa lidar com o caos fundiário da Amazônia, região onde uma mesma área costuma ser reclamada por vários proprietários diferentes. “Já fiz mais de 230 negociações de terras”, diz Lima. Quando famílias precisam ser removidas de áreas afetadas pelas obras, é Lima quem resolve tudo. Seu departamento também funciona como uma espécie de ouvidoria do projeto. É a ele que os moradores recorrem para resolver todo tipo de problema – até brigas de rua e desavenças entre marido e mulher. Desde que chegou a Juruti, há quatro anos, Lima engordou 20 quilos e ficou hipertenso. “É difícil ficar longe da família, ainda mais porque aqui quase não se tem o que fazer.”

A Alcoa transferiu 6.163 profissionais de outras regiões para Juruti. Para quem vai morar ali, sobre trabalho e faltam oportunidades de lazer. No barco-hotel, acorda-se muito cedo e dorme-se muito cedo também. O economista Tiniti Matsumoto é gerente de desenvolvimento da mina e deixou em São Paulo a mulher e cinco filhos para morar no Pará. Para se sentir um pouco mais em casa, ele tenta satisfazer pequenos caprichos que remetem ao lar da capital paulista. “Sempre trago um torresminho e uma cachaça para o barco. A gente reúne os amigos e assiste ao jogo de futebol”,diz. Aos 59 anos, o mineiro Matsumoto é o funcionário mais antigo da Alcoa no Brasil. Está na empresa desde 1970. Trabalhou por dez anos na mina de Poços de Calas, ajudou a colocar de pé a fábrica em São Luís, no Maranhão, e foi responsável pela planta de Ushuaia, na Argentina. Na Amazônia, é o chefão do projeto. “Peço para a minha mãe rezar todos os dias para que eu faça a coisa certa”, afirma. “Eu tremo o tempo todo, mas é uma grande realização.”

Resistência ao projeto
Quando chegou a Juruti, a Alcoa comprometeu-se a buscar cerca de 70% da mão-de-obra necessária na região. “A carteira de trabalho das pessoas era a mão calejada”, diz Matsumoto. “Resolvemos apostar nelas, mesmo sabendo da falta de experiência”. A qualificação vem sendo realizada desde 1006, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) do Pará. A formação de alianças com outras organizações é considerada um item essencial do projeto. “Tivemos a lucidez de buscar parcerias”, afirma Feder. “Até fui acusado, em certo momento, de usá-las em excesso.”

O plano cuidadoso que a empresa vem buscando desenhar com a comunidade e os parceiros ainda não foi suficiente para eliminar resistências. Uma pesquisa recente mostrou que cerca de 10% dos moradores ainda não aprovam a presença da companhia. Em maio de 2007, um grupo contrário à obra chegou a ameaçar invadi-la e colocar fogo em tudo. A crise foi contornada, mas a Alcoa ainda recebe acusações. “Não dá para botar 10 mil pessoas numa cidade sem erguer uma infraestrutura básica”, afirma Antonio João Teixeira Campos Silva, secretário de governo da Prefeitura de Juruti. Assim que obteve a licença para a obra, válida por um ano, a companhia instalou máquinas e homens na cidade. À época, nem alojamentos para os trabalhadores havia ali. “Eu sempre me pergunto: se tivéssemos como recomeçar, o que faríamos diferente?, diz Feder. “Não tinha como construir nada sem a certeza de que conseguiríamos a licença. E se não começássemos assim que a licença saiu, perderíamos tempo.” Segundo ele, dos 365 dias de validade do documento, é possível manter a operação durante apenas seis meses, devido às chuvas.

Para contornar a questão da infraestrutura, a Alcoa propôs a implementação da Agenda 21, uma espécie de modelo de desenvolvimento sustentável local. O investimento é de cerca de R$ 50 milhões. Em parceria com a prefeitura, a empresa elegeu prioridades nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, cultura, meio ambiente, segurança pública e assistência sócia. Estão em fase de construção um hospital, quatro unidades de saúde, 16 salas de aula, uma escola do Senai, um alojamento para a polícia militar e uma casa de cultura, além da reforma do hospital principal e da delegacia e da pavimentação das ruas.

A empresa também está tomando cuidados ambientais. Foi a primeira no Pará a assinar um termo de compromisso previsto pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, que trata da destinação de 1,5% dos recursos investidos em grandes projetos para a proteção de unidades de conservação. A Alcoa deve reduzir os passivos ao reflorestar áreas futuramente esgotadas para a extração do minério. A idéia é plantar 20 árvores a cada uma derrubada. 

Impacto Positivo
Para muitos moradores, a atuação da empresa já provoca mudanças positivas. É o caso de Francisco da Silva Pimentel, o seu Xico, que participa do projeto de agricultura familiar criado pela Alcoa. Aos 46 anos, seu Xico é hoje um pequeno empreendedor. Aproveitou o terreno de 800 metros quadrados ao lado de sua casa na comunidade Lago Preto para plantar coentro, cebolinha, alface e couve, e vende sua produção para o restaurante GRSA, que alimenta os funcionários das empreiteiras, e para estabelecimentos comerciais da cidade. Quando não dá conta das encomendas, recorre aos vizinhos. “Quando não dá na minha terra, compro dos amigos. Tem de ter responsabilidade com os fregueses”, diz. Com uma renda semanal de R$ 700, seu Xico diz que já comprou “umas besteiras”, como televisão, moto, geladeira e mesa de sinuca. 

O projeto de horta familiar é uma das obrigações legais da empresa para com o órgão licenciador da obra. A Alcoa assumiu o compromisso de executar 35 programas em diferentes áreas, que vão desde o resgate do artesanato local ao plantio, pelas comunidades, de mudas que serão usadas no reflorestamento das áreas devastadas. Para isso, disponibilizou R$ 30 milhões e contratou empresas que ajudam a formar as pessoas. Grupos contrários à companhia, no passado, hoje demonstram apoio. “A gente não queria saber deles aqui”, diz o pastor Abtael de Souza, da comunidade Monte Carmelo. “Hoje achamos que as bênçãos de Deus chegaram. “O pastor conta que, antes do projeto de agricultura, as famílias sobreviviam de peixe e farinha de mandioca e as crianças mal conheciam hortaliças. Agora a meta da comunidade é entregar à empresa 180 mil mudas de diferentes espécies, recebendo R$ 1 por unidade. “Nosso sonho é juntar dinheiro para construir nossa congregação, nossos refeitórios”, diz Souza. Mais que solucionar problemas pontuais de renda, projetos como esse são importantes para brecar o desmatamento, na medida em que representam uma alternativa econômica para a população local. 

Em outubro do ano passado, a Alcoa iniciava um período complicado ao projeto Juruti: a chamada fase de desmobilização. Com a obra da mina próxima do fim, parte dos oito mil funcionários contratados pelas empreiteiras serão mandados embora. Ficarão na operação 1,2 mil. “Quando começamos, fui até a associação comercial, chamei as pessoas e expliquei que a construção tem começo, meio e fim”, diz Matsumoto. “Perguntei se preferiam emprego por um determinado período ou por tempo nenhum, e eles disseram que queriam trabalhar.” A desmobilização revela como é delicada a relação entre a companhia e a comunidade – e os riscos de fazer com que os moradores se tornem dependentes do projeto. “O risco, em experiências desse tipo, é a empresa cair no esquema colonial, puxando para si a responsabilidade política e social e tomando conta da cidade”, afirma Young, do Ethos. “A Alcoa está agindo corretamente e não quer estabelecer essa dependência.”

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