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Abril 22, 2008

Índios, onças e tucanos invadem Manhattan

Exposição Amazônia Brasil chega a Nova York

Veículo: O Estado de S. Paulo

Os nova-iorquinos poderão ver de perto que a Amazônia é uma floresta muito mais fantástica do que aquela que imaginam. Tem gente que mora lá, que é sua guardiã de verdade, sabe cuidar dela e precisa de apoio - não só para sua sobrevivência, mas para o futuro do próprio planeta. A exposição Amazônia Brasil, que já foi vista em São Paulo, Rio, Minas e está na quarta edição internacional, mostra isso, nos próximos três meses, em três instalações montadas no sul de Manhattan. A principal, com foco ecológico e socioeconômico, é complementada por uma mostra fotográfica e outra sobre moda e design. Nos cartazes que divulgam o evento pela cidade, imagens de onças, índios, tucanos e araras invadem a paisagem urbana de Nova York. Numa afirmação da perspectiva pela qual o tema é abordado, as palavras Amazônia e Brasil obedecem a grafia brasileira.

A idéia de 'amazonizar o mundo' e 'verdejar o pensamento' sugerida pelo idealizador do projeto, o infectologista Eugênio Scannavino Netto, ganha uma tradução visual na principal e maior das três mostras, que ocupa 1.200 metros quadrados no Píer 17 e tem inauguração oficial no começo da noite de hoje. À beira do East River e quase debaixo da Ponte do Brooklyn, a reconstituição da floresta atravessada pelo Rio Amazonas tem casinhas feitas de madeira e cobertas de palha, trazidas diretamente da mata, de onde os caboclos vivem, fazem farinha e defumam látex.

A exposição principal dá título a todo o evento e tem direção de arte do designer Gringo Cardia. Formada por um mapa tridimensional coberto por plantas, ela sintetiza toda a diversidade da amazônia brasileira. Ao som de água, pássaros e outros animais, caminha-se à beira do Rio Amazonas e de seus afluentes, passa-se por ocas e maquetes de pequenas cidades com seus moradores típicos, encontram-se barcos de pesca e transporte. Fotografias monumentais de Araquém Alcântara ampliam tanto detalhes da beleza natural da floresta como de sua destruição. Vídeos exibem depoimentos de índios e outros moradores da região sobre a relação que eles têm com o ambiente onde vivem.

Entre seus 23 milhões de habitantes, a Amazônia brasileira abriga pelo menos 250 mil índios de mais de 200 grupos étnicos. Muitos estão nas imagens do fotógrafo Rodrigo Petrella que compõem a mostra Guardiães da Floresta, exibida no National Museum of the American Indian. No World Financial Center, peças indígenas e de outros artesãos locais compartilham uma galeria com criações de estilistas participantes da São Paulo Fashion Week, como André Lima, Lino Villaventura e Alexandre Herchcovitch, na mostra Amazônia Design, Moda e Economia Sustentável. Dirigida por Débora Laruccia, essa mostra exibe também móveis e jóias que valorizam o ambiente e a economia de comunidades amazonenses.

A Amazônia Brasil, organizada pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA) e pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que representa mais de 600 entidades, já passou por Paris, Lausanne e Bavária e fica em exibição em Nova York até 13 de julho. Na programação ainda haverá seminários, projetos educacionais e mais uma exposição, sobre o aquecimento global e o impacto das mudanças climáticas na Amazônia, que será exibida entre 12 de junho e 13 de julho no prédio da Organização das Nações Unidas (ONU).

'Não é uma exposição sobre a Amazônia mas da Amazônia', sublinha Scannavino. 'Ela mostra a Amazônia real, com suas contradições, iniciativas positivas e o ponto de vista das suas comunidades. Muito se fala na destruição da região, mas há várias experiências transformadoras e bem-sucedidas, com base no desenvolvimento sustentável, preservação do meio ambiente e respeito ao povo local. É isso que queremos compartilhar com os visitantes da exposição', diz o médico, que também é coordenador do PSA. A iniciativa visa a sensibilizar as pessoas e arrecadar fundos dirigidos às iniciativas dos que Scannavino define como 'verdadeiros donos da Amazônia'. Entre eles estão as cerca de 430 mil pessoas das comunidades representadas pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e mais 30 mil integrantes das 150 comunidades extrativistas da bacia do Rio Tapajós que participam do PSA.

Além do apoio do governo brasileiro, da IBM e da American Express Foundation, a mostra conquistou outro grande patrocinador para a edição em Nova York. É a americana Alcoa, uma das maiores produtoras mundiais de alumínio, que tem unidades nos Estados de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão. A empresa vai explorar uma mina de bauxita em Juruti, no Pará, seu primeiro investimento na região amazônica depois de quase 50 anos de atividade no Brasil. 'Apoiar essa iniciativa é uma maneira eloqüente de a Alcoa demonstrar seu compromisso com a Amazônia', diz o diretor de Assuntos Institucionais da empresa para a América Latina, Nemércio Nogueira.

A expectativa dos organizadores é que a exposição seja vista por cerca de 400 mil pessoas. Graças a acordo feito com o Board of Education, a secretaria municipal de educação, a agenda para grupos de estudantes de escolas públicas já estava esgotada antes da abertura do evento. Pelo acordo, a Amazônia - sob o ponto de vista de quem vive lá - também entrou no currículo deste ano para crianças da terceira à sexta série. Depois de Nova York, Amazônia Brasil será exibida em Tóquio, entre novembro e dezembro, e em Amsterdã, no início do ano que vem.

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